#15 // outras.co
mulheres por uma jornada coletiva.
O olhar para nosso repertório de vida e todas as cicatrizes que fazem parte dele, é também um abraço na nossa maior força indo de encontro com a verdadeira autenticidade.
Convenhamos: tá todo mundo de saco cheio de tanta superficialidade nas redes sociais, e nadar em águas rasas tá longe de ser minha modalidade favorita. Há alguns anos venho me questionando como expandir o meu trabalho para além das limitações que os algoritmos evidenciam. Criar conteúdos de forma consciente não é suficiente se não houver reciprocidade. Mais que um número ostensivo, preciso sentir que minhas criações constroem conexões que se sustentam na vida real.
Sinto um orgulho imenso da rede que criei com meu trabalho ao longo dos 15 anos que passei viajando o mundo, mas muitas vezes sinto uma angústia proporcional por não saber o que fazer com tanto. A abundância de experiências se torna um acúmulo vazio quando não é compartilhada.
Com uma carreira independente e bastante inusitada na fotografia de viagens, eu conduzi diversas expedições pelo mundo, sempre com intuito de quebrar barreiras e encorajar mulheres a explorarem seus próprios universos. Nessa jornada, fui criando um repertório que vai muito além das belas paisagens.
Foto por Alline Beatrici em 2017, na primeira vez que fui fotografada nua, durante uma viagem ao Salar de Uyuni.
Quando tirei o foco das grandes viagens, minha bagagem me levou a explorar lugares cada vez mais profundos e internos. Encontrei na arte, nas aventuras e no contato intenso com outras culturas uma oportunidade de habitar minha própria narrativa, e sinto que essa foi a jornada mais libertadora que já percorri.
Foto por Marcelle Cerutti para o projeto Canseira, em 2021.
Hoje, criando minhas raízes na serra da Mantiqueira, conduzo vivências imersivas nas montanhas para mulheres que buscam explorar todos os conceitos da liberdade feminina em um exercício disruptivo de sororidade, expansão e autorreconhecimento.
São experiências transformadoras que me nutrem e me fascinam, isso é um fato. No entanto, por uma série de motivos, são pouquíssimas mulheres que podem ter o privilégio de vivê-las. Sempre sonhei em proporcionar essas transformações de forma mais acessível e abrangente, e foi aí que começou a pulsar a necessidade de criar algo maior. Abrir a roda para que todas as mulheres possam entrar e, juntas, construirmos uma jornada COLETIVA.
Quando passei a sentir que a luta já não era suficiente, decidi abraçar minha maior potência. Por todas as outras mulheres que também são pedaços de mim.
Com o desejo de criar um espaço com mais liberdade, intimidade e conexão, apresento a vocês em primeiríssima mão (e com aquele friozinho delicioso na barriga), o meu novo projeto autoral: a coletiva OUTRAS.
Outras.Co é um manifesto que floresce do meu fazer artístico, na busca por reivindicar e reescrever as nossas narrativas enquanto mulheres. Ela nasce do meu ventre, mas será criada de forma COLETIVA, jogando luz sobre a nossa potência que é capaz de gestar, parir, criar, desbravar, construir e manter lares, trabalhos, vidas e futuros.
Como vai funcionar:
• Em encontros — que chamarei de rodas — quinzenais online, quero-desejo inspirar criando identificação a partir de referências, pontes e conexões. Com um olhar mais ampliado para a representatividade, a coletiva busca mostrar ao mundo e dar voz a todas as mulheres, algumas ainda invisíveis, outras que já estão trilhando seus caminhos de forma mais ativa, usando a fotografia, a escrita e outras manifestações artísticas como fio condutor.
• Vejo a arte como um canal para manifestar algo maior, transmutar nossas dores, julgamentos e injustiças. O objetivo do projeto é criar um espaço onde a representatividade feminina seja possível e onde a sensibilidade seja bem-vinda para transbordar. Um ambiente seguro e acolhedor onde possamos enxergar umas às outras e se sentir vistas para além das cobranças da sociedade.
Para dar vida e construir esse projeto de forma realmente coletiva, abro o coração com um convite para todas as mulheres adentrarem na nossa primeira roda, que será GRATUITA no dia 6 de outubro, das 19h30 às 21h30.
Irei abrir a roda compartilhando detalhes íntimos dessa longa e sinuosa trajetória. Juntas, vamos cocriar um ambiente fértil para aprofundar em temas sensíveis que nos atravessam coletivamente e ampliar a representatividade feminina nas nossas referências e inspirações.
Para além do encontro gratuito que teremos, o objetivo da Outras.Co é tornar meu trabalho acessível para qualquer mulher que busque um espaço seguro para expor vulnerabilidades, trocar experiências e criar um senso de pertencimento, onde a sororidade seja uma prática possível.
Para participar, basta preencher este formulário e, até o dia 01 de outubro, você será adicionada pela minha equipe no grupo de WhatsApp da coletiva. Para garantir nossa privacidade, todos os detalhes de como a Outras.co vai funcionar, assim como os conteúdos que irão aquecer a nossa roda, serão compartilhados exclusivamente nesse grupo. O link da sala só será enviado no dia do encontro e a roda será gravada para quem não puder assistir ao vivo.
» Será um grupo fechado, onde teremos um espaço intimista e confiável para que eu possa compartilhar reflexões, dicas e uma curadoria de conteúdos construtivos que fazem parte dos meus estudos e processos que permeiam a existência feminina. Tudo está sendo preparado com muito carinho e dedicação, sempre buscando um ritmo mais lento e com significado, navegando no contrafluxo do consumo excessivo das redes.
Este é um convite aberto PARA TODAS AS MULHERES que queiram se conectar, mesmo que de forma introspectiva como ouvinte. Também deixo aqui meu pedido para que vocês me ajudem a expandir essa conexão, estendendo a mão (e o convite) para mais mulheres que forem lembradas por algum motivo.
É a primeira vez que estou criando um projeto abrangente e acessível para todas, mas o apoio de vocês é fundamental para alcançar o maior número de mulheres possível. Seja também uma ponte para fazer essa expansão acontecer.
Bóra caminhar juntas?
Até o próximo chá.mego!
Com afeto, Patchi.







